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Corpo

Abdominoplastia

Abdominoplastia é a cirurgia que retira a sobra de pele e gordura do abdômen e fecha a diástase dos músculos, com cicatriz baixa de um lado ao outro do quadril. Não emagrece nem trata a gordura interna.

Também chamada de: cirurgia de abdômen, tirar o avental, mini abdominoplastia, lipoabdominoplastia, diástase

Anestesia
Geral ou peridural com sedação (SBCP)
Duração
2 a 4 horas
Internação
1 a 2 noites
Volta ao trabalho
14 a 21 dias
Nesta página
  1. Para quem é indicada
  2. Qual a idade mínima
  3. Como se preparar
  4. Como é feita a cirurgia
  5. Qual anestesia e precisa internar
  6. Como é a recuperação
  7. Quais os riscos
  8. Fica cicatriz?
  9. Quanto tempo dura o resultado
  10. Convênio ou SUS cobrem?
  11. Quanto custa
  12. Perguntas para fazer ao cirurgião

A abdominoplastia, a cirurgia de abdômen, retira o excesso de pele e gordura da barriga e, quando necessário, costura os músculos retos que se separaram, a diástase. É a cirurgia de quem tem o chamado avental: a sobra de pele que fica depois da gravidez ou de um grande emagrecimento e que nenhum exercício resolve. Segundo a pesquisa ISAPS 2024, o Brasil é o país que mais faz cirurgia plástica no mundo, e as cirurgias de corpo somaram 6 milhões de procedimentos no planeta em 2024.

Saiba o que ela não faz. A abdominoplastia não é cirurgia de emagrecimento e não trata a gordura interna, aquela da barriga dura que envolve os órgãos. Ela também não tira as estrias acima do umbigo, só as que estão na pele retirada abaixo dele. Quem tem gordura localizada sem sobra de pele costuma precisar de lipoaspiração, não de abdominoplastia.

Para quem é indicada

A candidata ou candidato ideal tem sobra de pele no abdômen, com ou sem diástase, peso estável há pelo menos seis meses e IMC abaixo de 30 (alguns serviços aceitam até 32 com critérios), e não planeja engravidar nos próximos anos. Quem fez cirurgia bariátrica costuma operar 12 a 18 meses depois, com o peso estabilizado. De acordo com o StatPearls, a indicação inclui tanto o contorno quanto problemas funcionais causados pela frouxidão da pele e dos músculos.

As contraindicações principais são obesidade, doenças cardíacas, pulmonares ou metabólicas descompensadas, distúrbios de coagulação, trombose anterior, gravidez planejada e infecção ativa. O tabagismo pesa mais aqui do que em outras plásticas: a abdominoplastia descola uma área grande de pele, e o cigarro aumenta muito o risco de necrose e de abertura dos pontos. A regra é parar por pelo menos quatro semanas antes e quatro depois.

Qual a idade mínima

Não existe idade mínima fixada em lei. A orientação do CFM e da SBCP é que menores de 18 anos só sejam operados com autorização dos responsáveis e com indicação justificada, algo raro nessa cirurgia. A maioria das pessoas que opera tem entre 30 e 50 anos, depois dos filhos ou de um grande emagrecimento. Não há idade máxima: o que define é a condição clínica.

Como se preparar

Na consulta, o cirurgião plástico examina a pele, a diástase, a presença de hérnia umbilical e de cicatrizes anteriores, como a de cesárea, que mudam o planejamento. Os exames usuais são hemograma, coagulograma, glicemia, função renal, eletrocardiograma, avaliação cardiológica conforme a idade e teste de gravidez. Um ultrassom da parede abdominal pode ser pedido para medir a diástase e procurar hérnia.

Remédios que aumentam o sangramento, como ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios, só são suspensos com orientação. O anticoncepcional hormonal pode entrar na conversa por causa do risco de trombose. O jejum costuma ser de 8 horas. Compre a cinta, prepare a cama com travesseiros para dormir com o tronco elevado e combine um acompanhante para os primeiros dias.

Como é feita a cirurgia

Na abdominoplastia clássica, o cirurgião faz uma incisão horizontal baixa, de um lado ao outro do quadril, na linha do biquíni, e outra ao redor do umbigo. Ele descola a pele até as costelas, costura os músculos retos na linha do meio (a plicatura, que fecha a diástase), estica a pele para baixo, retira o excesso e cria uma nova abertura para o umbigo. Drenos ou pontos internos de adesão ajudam a evitar o seroma. A cirurgia dura de 2 a 4 horas.

Mini abdominoplastia

Indicada para quem tem sobra pequena de pele só abaixo do umbigo. A cicatriz é menor, o umbigo não é reposicionado e a plicatura, quando feita, fica restrita à parte de baixo. Não serve para quem tem avental ou diástase acima do umbigo.

Lipoabdominoplastia

Combina a lipoaspiração de flancos e abdômen superior com a abdominoplastia na mesma cirurgia. A técnica foi sistematizada por um cirurgião brasileiro, Osvaldo Saldanha, e hoje é padrão em muitos serviços: preserva vasos da pele e, segundo estudos publicados na RBCP, tende a reduzir o seroma. Para pós-bariátricos com sobra vertical de pele existe a abdominoplastia em âncora, que acrescenta uma cicatriz vertical no meio do abdômen.

Diástase dos retos

Diástase é a separação dos dois músculos retos do abdômen na linha do meio, comum depois da gravidez. Não é hérnia, mas pode vir junto com uma. Quando a separação é grande, exercício não fecha; a plicatura na abdominoplastia é o tratamento mais usado.

Qual anestesia e precisa internar

A abdominoplastia é feita com anestesia geral ou peridural com sedação, sempre em hospital, com anestesista presente o tempo todo. A SBCP recomenda ambiente hospitalar com UTI de retaguarda, e em Brasília a cirurgia é feita em hospital, com internação de uma a duas noites. Como o risco de trombose é maior que em outras plásticas, o hospital usa meias elásticas, compressão pneumática nas pernas e, conforme o risco de cada pessoa, heparina preventiva.

Como é a recuperação

  • Primeiras 24 a 48 horas: internação, tronco elevado e joelhos dobrados, caminhadas curtas ainda no primeiro dia, dreno e sonda nas primeiras horas. Dor controlada com analgésicos.
  • 1ª semana: andar levemente curvada para não forçar a sutura, cinta 24 horas por dia, dreno retirado entre o 3º e o 10º dia, banho liberado conforme orientação. Sem dirigir.
  • 2ª semana: a postura vai se endireitando, os pontos ou curativos são revistos e a drenagem linfática começa, se liberada. Trabalho de escritório entre 14 e 21 dias.
  • 1 mês: dirigir liberado na maioria dos casos, caminhadas, cinta ainda em uso. Dormência abaixo do umbigo é normal.
  • 3 meses: musculação liberada aos poucos, abdominais só com liberação, em geral após 60 a 90 dias. A cicatriz está vermelha e espessa, o que é esperado.
  • Resultado final: entre 6 meses e 1 ano. A cicatriz amadurece em 12 a 18 meses.

Quais os riscos

Os riscos gerais são infecção, sangramento, reação à anestesia, trombose venosa e embolia pulmonar. Entre as plásticas, a abdominoplastia é a que tem maior risco de trombose, sobretudo quando combinada com outras cirurgias. Os riscos específicos, segundo o StatPearls, são seroma (o mais comum), necrose de pele e abertura dos pontos (mais frequentes em fumantes e em quem tem IMC alto), cicatriz alargada ou espessa, sobras nas pontas da cicatriz (as "orelhas"), problemas de cicatrização no umbigo, assimetria e perda de sensibilidade.

Procure o cirurgião, ou um pronto-socorro, se tiver febre, vermelhidão quente com dor crescente, saída de pus ou de líquido em quantidade, dor ou inchaço em uma panturrilha, falta de ar, dor no peito ou batimento acelerado.

Fica cicatriz?

Sim, e ela é longa: vai de um lado ao outro do quadril, com 25 a 40 cm na abdominoplastia clássica, e menor na mini. Há também a cicatriz ao redor do umbigo e, na técnica em âncora, uma vertical. O cirurgião marca a linha com a calcinha ou o biquíni que você usa, para que fique escondida. Ela fica vermelha e elevada nos primeiros meses e clareia ao longo de 12 a 18 meses. Ajudam: fita ou gel de silicone, evitar sol e não fumar. Quem tem tendência a queloide deve avisar.

Quanto tempo dura o resultado

O resultado é duradouro. A pele retirada não volta, e estudos de acompanhamento mostram que a plicatura dos músculos se mantém na maioria das pessoas. O que pode desfazer parte do ganho é engordar bastante, envelhecer com perda de elasticidade e, sobretudo, uma nova gravidez, que estica a pele e os músculos de novo. Por isso a maioria dos cirurgiões sugere operar depois de concluir o plano de ter filhos, embora engravidar depois seja possível e, em geral, seguro.

Convênio ou SUS cobrem?

Quando a indicação é estética, não. A situação muda quando a cirurgia é reparadora. A tabela do SUS prevê a dermolipectomia abdominal pós-bariátrica, a retirada do avental, para quem tem peso estável e problemas como dermatites e infecções sob a pele, em geral a partir de dois anos depois da bariátrica, e as filas costumam ser longas. O rol da ANS inclui a dermolipectomia pós-bariátrica com critérios próprios, e a correção de hérnia feita junto com a abdominoplastia pode ter a parte da hérnia coberta. Nenhuma cobertura pode ser prometida antes da análise do caso.

Quanto custa

O preço depende da técnica (mini, clássica, lipoabdominoplastia, âncora), da extensão da sobra de pele, do tempo de cirurgia, do tipo de anestesia, do hospital e do número de noites, do pós-operatório com drenagem e da experiência do cirurgião. O portal não publica valores: a página de orçamento explica o que compõe o preço e o que faz variar, e encaminha o seu pedido a cirurgiões plásticos e clínicas parceiras.

Perguntas para fazer ao cirurgião

  • Você tem RQE em cirurgia plástica? Posso verificar o número no site do CRM?
  • Em qual hospital a cirurgia será feita e ele tem UTI?
  • Quem é o anestesista e qual a prevenção de trombose prevista para mim?
  • Quantas abdominoplastias você faz por ano e qual técnica indica no meu caso?
  • Vai fechar a diástase? Tenho hérnia? Vai usar dreno?
  • O que está incluso no valor: hospital, anestesista, cinta, drenagem, retornos?
  • Como é a política de revisão se a cicatriz alargar ou sobrar pele nas pontas?

A indicação da abdominoplastia depende de avaliação presencial com cirurgião plástico com RQE, o Registro de Qualificação de Especialista do CRM, exigido pela Resolução CFM 2.336/2023 para quem se anuncia como especialista. Toda cirurgia tem riscos, e o resultado varia de pessoa para pessoa.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre mini abdominoplastia e abdominoplastia clássica?

A mini trata sobra pequena de pele abaixo do umbigo, com cicatriz menor e sem mexer no umbigo. A clássica retira a sobra de todo o abdômen, reposiciona o umbigo e permite fechar a diástase inteira, com uma cicatriz de um lado ao outro do quadril. Quem tem avental ou diástase acima do umbigo precisa da clássica.

Posso fazer lipo junto com a abdominoplastia?

Sim, e é comum. A lipoabdominoplastia combina a lipo de flancos e abdômen superior com a retirada da pele, na mesma cirurgia. A técnica é bem estudada no Brasil e, segundo a literatura da RBCP, tende a reduzir o seroma. O cirurgião define o volume de lipo seguro conforme o seu caso e os limites do CFM.

A abdominoplastia fecha a diástase?

Sim. Durante a cirurgia, o cirurgião costura os músculos retos na linha do meio, a plicatura, e fecha a separação. Estudos de acompanhamento mostram que a correção se mantém na maioria das pessoas, desde que não haja nova gravidez ou grande ganho de peso.

Posso engravidar depois da abdominoplastia?

Pode, e em geral a gravidez é segura. O problema é o resultado: a pele e os músculos esticam de novo e parte do ganho pode se perder. Por isso a maioria dos cirurgiões sugere operar depois de concluir o plano de ter filhos. Converse sobre isso na consulta.

A cicatriz fica escondida no biquíni?

Esse é o objetivo. O cirurgião marca a incisão com a calcinha ou o biquíni que você costuma usar, para que a linha fique coberta. A cicatriz é longa, de um lado ao outro do quadril, e passa por fases: vermelha e elevada nos primeiros meses, mais clara após 12 a 18 meses.

Precisa de dreno?

Depende da técnica. Muitos cirurgiões usam dreno por alguns dias para evitar o acúmulo de líquido (seroma). Outros preferem pontos internos de adesão, que colam a pele ao músculo e dispensam o dreno. As duas abordagens são aceitas; pergunte qual será usada no seu caso.

Quanto tempo fico curvada depois da cirurgia?

Em geral de 7 a 10 dias andando levemente inclinada para a frente, para não forçar a sutura da pele e dos músculos. A postura volta ao normal aos poucos ao longo da segunda semana. Dormir com o tronco elevado e os joelhos dobrados ajuda nesse período.

Convênio ou SUS cobrem abdominoplastia pós-bariátrica?

Podem cobrir, porque nesse caso a cirurgia é reparadora. A tabela do SUS prevê a dermolipectomia abdominal pós-bariátrica, com critérios como peso estável e problemas de pele sob o avental, e as filas são longas. O rol da ANS também inclui o procedimento com critérios próprios. A cobertura depende da análise de cada caso.

Este guia é informativo e foi escrito pela redação do portal a partir das fontes citadas. A indicação do procedimento, os riscos no seu caso, a técnica e os valores só podem ser definidos por um cirurgião plástico, com RQE, em consulta. Atualizado em 6 de novembro de 2026.

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