Ginecomastia
A cirurgia de ginecomastia reduz a mama masculina aumentada, retirando glândula e gordura por lipoaspiração e por uma incisão na aréola. Não trata a causa hormonal do crescimento nem substitui o emagrecimento.
- Anestesia
- Geral ou sedação com bloqueio (SBCP)
- Duração
- 1 a 2 horas
- Internação
- Hospital-dia, alta no mesmo dia
- Volta ao trabalho
- 5 a 7 dias
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Ginecomastia é o aumento da mama masculina por crescimento da glândula, da gordura ou dos dois, o que as pessoas chamam de peito de homem ou mama masculina. A cirurgia de ginecomastia, ou redução de mama masculina, retira esse tecido e devolve ao tórax o contorno plano. Segundo a pesquisa ISAPS 2024, a ginecomastia é o segundo procedimento cirúrgico mais feito em homens no mundo, atrás apenas da cirurgia das pálpebras, e o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas, com 3,1 milhões de procedimentos no ano.
A cirurgia trata o volume, não a causa. Se a ginecomastia vem de medicamento, anabolizante, doença do fígado ou alteração hormonal, isso precisa ser investigado e corrigido antes, senão a mama pode voltar. Também não é cirurgia de emagrecimento: quando o aumento é só de gordura em quem está acima do peso (a pseudoginecomastia), perder peso vem primeiro, e a lipo entra para o que sobrar.
Para quem é indicada
O candidato ideal, pela SBCP, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é o homem saudável, perto do peso normal, com expectativas realistas e com a mama estável há pelo menos um ano. A cirurgia é indicada quando a ginecomastia persiste depois de afastada a causa, incomoda ou dói, e quando não regrediu sozinha após a puberdade.
O StatPearls classifica a ginecomastia em graus, pela escala de Simon: grau I, aumento pequeno sem pele sobrando; grau IIa, aumento moderado sem excesso de pele; grau IIb, moderado com excesso de pele; grau III, aumento grande com pele sobrando e mama caída. O grau define a técnica. As contraindicações são causa ainda não tratada, uso atual de anabolizantes, doença descompensada, distúrbio de coagulação e nódulo suspeito, porque o câncer de mama masculino, embora raro, existe e precisa ser descartado. O cigarro aumenta o risco de má cicatrização e deve ser suspenso por quatro semanas antes e depois. Acima de IMC 30, a maioria dos cirurgiões pede emagrecimento antes.
Qual a idade mínima
Não há idade mínima em lei, e aqui a espera importa. O StatPearls registra que a ginecomastia da puberdade atinge até metade ou mais dos meninos entre 13 e 14 anos e regride sozinha na maioria em seis meses a dois anos. Por isso a regra é não operar adolescente enquanto houver chance de regressão: a SBCP observa que o desenvolvimento pode continuar e exigir nova cirurgia.
A exceção é a ginecomastia que persiste por mais de dois anos, ou que causa dor e sofrimento importante, com avaliação do endocrinologista. Nesses casos a cirurgia pode ser feita antes dos 18 anos, com autorização dos responsáveis e indicação documentada. Em adultos, não há limite superior, desde que a saúde permita.
Como se preparar
A consulta com o cirurgião plástico começa pela história: quando começou, se usa ou usou anabolizante, finasterida, espironolactona, antirretroviral, antipsicótico ou maconha, se há doença de fígado, rim ou tireoide. O exame físico diferencia glândula (um disco firme atrás da aréola) de gordura. Quando a causa não é óbvia, o endocrinologista pede testosterona, estradiol, LH, FSH, prolactina, hCG e função hepática, e o ultrassom da mama e do testículo entra quando há suspeita.
Os exames pré-operatórios usuais são hemograma, coagulograma, glicemia, função renal, eletrocardiograma e avaliação de risco cirúrgico. Aspirina, anti-inflamatórios, anticoagulantes e suplementos que aumentam sangramento são suspensos só com orientação do cirurgião. Suplementos de academia e anabolizantes precisam ser suspensos com antecedência maior. Jejum de oito horas no dia da cirurgia e colete compressivo comprado antes.
Como é feita a cirurgia
A cirurgia dura de uma a duas horas e combina duas etapas, conforme a SBCP: lipoaspiração para a gordura e excisão (retirada direta) para a glândula. A proporção entre as duas depende do que o exame mostrou.
Lipoaspiração
Por um ou dois furos de poucos milímetros na lateral do tórax ou na borda da aréola, o cirurgião injeta solução anestésica e aspira a gordura com cânulas finas, moldando o contorno do peitoral. Em pseudoginecomastia pura, a lipo pode ser suficiente.
Retirada da glândula pela aréola
Quando há disco glandular, a lipo não resolve, porque a glândula é fibrosa. O cirurgião faz uma incisão em meia-lua na borda inferior da aréola, no limite entre a pele escura e a clara, e retira a glândula por ali, deixando uma camada fina sob o mamilo para evitar afundamento. A peça vai para exame anatomopatológico.
Graus III e excesso de pele
Quando a pele sobra e a mama está caída, como em grau III ou após grande emagrecimento, é preciso retirar pele. As opções vão da incisão ao redor de toda a aréola até cicatrizes maiores no sulco, com reposicionamento ou enxerto do mamilo, parecidas com as da redução de mama feminina.
Qual anestesia e precisa internar
Pela SBCP, a cirurgia de ginecomastia é feita sob sedação venosa com bloqueio local ou anestesia geral, decisão do anestesista com o cirurgião, em centro cirúrgico autorizado pela Vigilância Sanitária. Em Brasília, a maior parte é feita em hospital-dia, com alta no mesmo dia; a internação de uma noite fica para os casos com retirada de pele ou combinados com lipo de abdome. A SBCP recomenda que alguém acompanhe o paciente na primeira noite.
Como é a recuperação
- Primeiras 24 a 48 horas: dor leve a moderada, ardência na área da lipo e inchaço. Colete compressivo desde a sala de cirurgia. Em alguns casos há dreno, retirado em 24 a 48 horas.
- 1ª semana: roxos no tórax, que somem em duas a três semanas. Banho liberado conforme o cirurgião. Trabalho de escritório em 5 a 7 dias. Dirigir após 7 dias.
- 2ª semana: retirada dos pontos externos, se houver. Caminhadas leves. Drenagem linfática, se indicada, começa aqui.
- 1 mês: colete compressivo dia e noite por 4 a 6 semanas. Exercícios de perna liberados. Sem supino, flexão ou peso nos braços.
- 3 meses: treino de peito volta entre 45 e 60 dias, com liberação do cirurgião. Pequenas irregularidades da lipo ainda se acomodam. Sol na cicatriz só com protetor.
- Resultado final: entre 3 e 6 meses, quando o inchaço some e a pele se retrai. A cicatriz clareia até 12 meses.
Quais os riscos
Os riscos gerais são infecção, seroma (acúmulo de líquido), trombose e reação à anestesia. O hematoma é a complicação mais frequente da cirurgia de ginecomastia, pela vascularização da glândula, e é o motivo do colete e do dreno em alguns casos. A SBCP lista ainda a alteração de sensibilidade do mamilo, temporária ou permanente, a assimetria, a irregularidade de contorno, a necrose de gordura e a necessidade de retoque.
Dois riscos são próprios desta cirurgia. O primeiro é o afundamento da aréola, quando se retira glândula demais sob o mamilo, difícil de corrigir. O segundo é a recidiva: se a causa continua ativa, como anabolizante ou ganho de peso, a mama pode voltar a crescer. Procure o cirurgião se houver aumento rápido de volume de um lado, dor que piora, febre, vermelhidão ou mamilo escurecido. Falta de ar ou dor no peito pedem pronto-socorro.
Fica cicatriz?
Fica, mas costuma ser discreta. A incisão de retirada da glândula tem de 2 a 4 cm e acompanha a borda inferior da aréola, onde a mudança de cor da pele disfarça; os furos da lipo têm poucos milímetros e ficam na lateral do tórax ou na própria aréola. A SBCP observa que, nos homens, cicatrizes são mais difíceis de esconder porque não há sutiã nem volume de mama cobrindo, por isso a técnica procura manter tudo dentro da aréola. Nos graus III, a cicatriz é maior, ao redor da aréola ou no sulco.
A cicatriz fica vermelha nos primeiros meses e clareia ao longo de 12 meses. Ajudam: não fumar, evitar sol direto por seis meses, usar fita ou placa de silicone a partir da terceira semana e usar o colete pelo tempo indicado, porque a compressão ajuda a pele a se retrair.
Quanto tempo dura o resultado
A glândula retirada não volta, e a SBCP descreve o resultado como frequentemente permanente nos homens. O que pode trazer a mama de volta é a causa: anabolizantes, certos medicamentos, maconha e ganho de peso. Quem mantém o peso e evita o gatilho tende a manter o contorno pela vida. A gordura que sobrou pode aumentar com o ganho de peso, como em qualquer lipo. Não há troca nem manutenção programada.
Convênio ou SUS cobrem?
Em geral, a ginecomastia é tratada como estética e negada. Há exceções. Quando existe dor, ginecomastia grau II ou III documentada, causa clínica identificada (como medicamento que não pode ser suspenso ou doença endócrina) ou sofrimento psicológico com laudo, o plano pode cobrir como cirurgia reparadora, mediante relatório do cirurgião plástico, do endocrinologista e exames. A auditoria do plano analisa caso a caso e há disputas na Justiça nos dois sentidos.
No SUS, a cirurgia existe em serviços de cirurgia plástica habilitados, com fila, em geral para casos persistentes e sintomáticos e para pacientes pós-bariátrica. Nada disso é promessa: a cobertura depende da análise de cada caso.
Quanto custa
O valor depende do grau da ginecomastia, de haver só lipo ou lipo com retirada de glândula, de precisar retirar pele, do tipo de anestesia, do hospital-dia ou hospital, da experiência da equipe e da cidade. O portal não publica preços: a página de orçamento explica o que entra na conta e o que faz o valor variar, e o simulador encaminha o seu pedido a cirurgiões plásticos parceiros em Brasília.
Perguntas para fazer ao cirurgião
- Você tem RQE em cirurgia plástica? Qual o número?
- Em qual hospital ou hospital-dia você opera e ele tem UTI de retaguarda?
- Quem é o anestesista e ele fica durante toda a cirurgia?
- Quantas cirurgias de ginecomastia você faz por ano?
- No meu caso é glândula, gordura ou os dois? Vai ter lipo e excisão?
- Preciso de avaliação com endocrinologista antes?
- O que está incluso no valor: hospital, anestesia, colete, retornos, exame do tecido?
- Como é sua política se precisar de retoque?
A indicação de cirurgia de ginecomastia, a técnica e a necessidade de investigar a causa só podem ser definidas em avaliação presencial com cirurgião plástico com RQE. Toda cirurgia tem riscos, e o resultado varia de pessoa para pessoa.
Perguntas frequentes
Quais são os graus de ginecomastia?
A escala de Simon, citada pelo StatPearls, tem quatro graus: I, aumento pequeno sem pele sobrando; IIa, moderado sem excesso de pele; IIb, moderado com excesso de pele; III, grande, com pele sobrando e mama caída. O grau define se basta lipo com retirada da glândula ou se é preciso retirar pele.
Convênio cobre cirurgia de ginecomastia?
Em geral é negada como estética. Pode ser coberta como reparadora quando há dor, grau II ou III documentado, causa clínica identificada ou sofrimento psicológico com laudo, mediante relatórios do cirurgião plástico e do endocrinologista. A auditoria do plano decide caso a caso.
A ginecomastia volta depois da cirurgia?
A glândula retirada não volta. O que pode trazer a mama de novo é a causa continuar ativa: anabolizantes, certos medicamentos, maconha ou ganho de peso. Quem controla o gatilho e mantém o peso costuma manter o resultado.
Fica cicatriz na aréola?
Fica uma cicatriz em meia-lua de 2 a 4 cm na borda inferior da aréola, onde a mudança de cor da pele disfarça, além de furos de poucos milímetros da lipo. Nos graus III, com retirada de pele, a cicatriz é maior.
Ginecomastia some sozinha?
Na puberdade, na maioria dos casos, sim: o StatPearls aponta regressão em seis meses a dois anos. Em adultos, a ginecomastia estabelecida há mais de um ano raramente regride, mesmo tratando a causa, porque a glândula fica fibrosa.
Só lipo resolve a ginecomastia?
Só quando o aumento é de gordura (pseudoginecomastia). Quando há glândula, que é firme e fibrosa, a lipo não a retira, e é preciso a excisão pela aréola. A maioria dos casos combina as duas técnicas.
Com quantos anos pode operar ginecomastia?
Não há idade mínima em lei, mas a regra é esperar a regressão natural da puberdade. Se persiste por mais de dois anos ou causa sofrimento importante, pode ser operada antes dos 18 anos, com autorização dos responsáveis e avaliação do endocrinologista.
Posso malhar depois da cirurgia de ginecomastia?
Perna e caminhada voltam em cerca de 30 dias; treino de peito, supino e flexão entre 45 e 60 dias, com liberação do cirurgião. O colete compressivo é usado por 4 a 6 semanas.
Este guia é informativo e foi escrito pela redação do portal a partir das fontes citadas. A indicação do procedimento, os riscos no seu caso, a técnica e os valores só podem ser definidos por um cirurgião plástico, com RQE, em consulta. Atualizado em 6 de novembro de 2026.