Prótese de silicone
A prótese de silicone (mamoplastia de aumento) aumenta o volume e a projeção das mamas com um implante colocado sob a glândula ou sob o músculo. Não levanta mama caída nem corrige flacidez importante, que pedem mastopexia.
- Anestesia
- Geral ou sedação com bloqueio local (SBCP)
- Duração
- 1 a 2 horas
- Internação
- Hospital-dia ou 1 noite
- Volta ao trabalho
- 5 a 10 dias
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A prótese de silicone, que o cirurgião chama de mamoplastia de aumento, é a cirurgia que aumenta o volume e a projeção das mamas com um implante de gel de silicone colocado atrás da glândula ou atrás do músculo peitoral. Segundo a pesquisa ISAPS 2024, o aumento de mama é o terceiro procedimento cirúrgico estético mais feito no mundo, atrás da cirurgia das pálpebras e da lipoaspiração, e 54% das pacientes têm entre 18 e 34 anos. O Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas, com 3,1 milhões de procedimentos no ano.
O silicone aumenta e dá forma, mas não levanta. Se o mamilo está abaixo do sulco da mama, a prótese sozinha deixa a mama maior e igualmente caída. Nesses casos, como explica a SBCP, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o cirurgião costuma indicar a mastopexia, com ou sem prótese. O implante também não trata flacidez de pele e não substitui a reconstrução após câncer.
Para quem é indicada
A candidata ideal tem as mamas totalmente desenvolvidas, peso estável, boa saúde e expectativas realistas sobre o tamanho possível para o seu tórax. A SBCP lista como indicações a perda de volume após gravidez, a assimetria e o desenvolvimento incompleto da mama.
As contraindicações principais são infecção ativa, doença crônica descompensada, gravidez ou amamentação em curso, nódulo mamário sem diagnóstico e distúrbios de coagulação. O cigarro aumenta o risco de infecção, de má cicatrização e de contratura capsular; a maioria dos cirurgiões pede suspensão por quatro semanas antes e depois. Não há limite fixo de IMC, o índice de massa corporal, mas a obesidade aumenta os riscos anestésicos e a cirurgia costuma ser adiada até o peso estabilizar.
Qual a idade mínima
Não existe idade mínima em lei no Brasil. A referência da SBCP é a mama já formada, o que em geral acontece por volta dos 18 anos. Nos Estados Unidos, a FDA aprova os implantes de gel de silicone para fim estético a partir dos 22 anos, porque a mama pode continuar mudando até essa faixa. Muitos cirurgiões brasileiros usam essa referência.
Menor de 18 anos só opera com autorização dos responsáveis e indicação clara, como assimetria acentuada, ausência de uma das mamas (síndrome de Poland) ou mama tuberosa. Para o desejo estético comum, a orientação é esperar.
Como se preparar
Na consulta, o cirurgião examina a pele, mede o tórax e a base da mama e define com você o volume em mililitros, o formato e o plano de colocação. Pergunte o número de registro da prótese na ANVISA, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, obrigatório para qualquer implante vendido no país.
Os exames usuais são hemograma, coagulograma, glicemia, função renal, eletrocardiograma e avaliação de risco cirúrgico, mais um exame de imagem das mamas: ultrassom para as mais jovens e mamografia a partir dos 40 anos. Anti-inflamatórios, aspirina, anticoagulantes e suplementos que aumentam sangramento são suspensos só sob orientação do cirurgião. Jejum de oito horas no dia da cirurgia.
Como é feita a cirurgia
A cirurgia dura de uma a duas horas. O cirurgião faz a incisão, cria o espaço onde o implante vai ficar (a loja), posiciona a prótese, confere a simetria e fecha com pontos internos. A SBCP descreve três vias de acesso: pelo sulco da mama (inframamária), a mais usada; pela borda da aréola (periareolar); e pela axila (transaxilar), que deixa a mama sem cicatriz.
Sob ou sobre o músculo
No plano subglandular, o implante fica sobre o músculo, logo atrás da glândula, e é indicado quando há tecido suficiente para cobrir a prótese. No plano submuscular, fica atrás do músculo peitoral maior, o que dá mais cobertura para quem tem pouca mama e facilita a leitura da mamografia. O plano duplo (dual plane) mistura os dois.
Redonda ou anatômica
A prótese redonda dá mais preenchimento na parte superior, o colo. A anatômica, em forma de gota, imita a mama natural, mas pode girar na loja. A superfície pode ser lisa, texturizada ou de poliuretano, e isso influencia o risco de contratura e de deslocamento.
Qual anestesia e precisa internar
Pela SBCP, a mamoplastia de aumento é feita sob anestesia geral ou sedação venosa com bloqueio local, em centro cirúrgico autorizado pela Vigilância Sanitária e com anestesista presente. Em Brasília, a maior parte das inclusões de prótese é feita em hospital-dia, com alta no mesmo dia, ou com uma noite de internação quando há outro procedimento junto.
Como é a recuperação
- Primeiras 24 a 48 horas: dor moderada e sensação de peso no peito, mais intensa com o implante sob o músculo. Sutiã cirúrgico desde o fim da cirurgia. Dreno é raro.
- 1ª semana: mamas altas, inchadas e duras, o que é esperado. Trabalho de escritório em 5 a 7 dias. Dirigir após 7 a 10 dias, quando mover o braço não doer.
- 2ª semana: caminhadas leves. Dormir de costas.
- 1 mês: sutiã cirúrgico dia e noite até aqui, depois só de dia por mais 30 dias. Exercícios de perna liberados. Nada de braços nem peso.
- 3 meses: musculação de membros superiores volta entre 45 e 60 dias, com liberação do cirurgião. O implante desce e amolece. Sol na cicatriz só com protetor.
- Resultado final: entre 3 e 6 meses. A cicatriz clareia até 12 a 18 meses.
Quais os riscos
Os riscos gerais são hematoma, seroma (acúmulo de líquido), infecção, cicatriz alargada e trombose. A SBCP lista como riscos específicos a alteração de sensibilidade do mamilo, que pode ser permanente, o enrugamento visível da prótese (rippling), a assimetria, o deslocamento do implante e a necessidade de nova cirurgia.
A contratura capsular merece atenção. O corpo sempre forma uma cápsula fina em volta do implante; em parte das pacientes ela engrossa e aperta, deixando a mama dura, alta e às vezes dolorida. É classificada em quatro graus (Baker I a IV), e os graus III e IV costumam exigir cirurgia para retirar a cápsula e trocar a prótese. A taxa varia com a técnica e a superfície do implante.
A ruptura se torna mais frequente quanto mais antiga a prótese e, com gel coesivo, muitas vezes é silenciosa, por isso a SBCP recomenda acompanhamento com ultrassom ou ressonância. Há ainda o linfoma anaplásico de grandes células associado a implante (BIA-ALCL), raro, ligado a próteses texturizadas, que aparece como aumento súbito de uma mama anos após a cirurgia. Procure o cirurgião se houver febre, vermelhidão, dor que piora, aumento de volume de um lado só ou secreção pela cicatriz.
Fica cicatriz?
Fica, e é permanente. Pela via inframamária, tem de 4 a 5 cm e fica escondida no sulco, coberta pela própria mama. Pela via periareolar, acompanha a borda da aréola e disfarça bem, mas a literatura associa essa via a um pouco mais de alteração de sensibilidade. Pela axila, fica na dobra e some com o braço abaixado. Ela clareia por 12 a 18 meses. Ajudam: não fumar, evitar sol e usar fita ou placa de silicone a partir da terceira semana.
Quanto tempo dura o resultado
A prótese não tem prazo de validade fixo, e a ideia de trocar a cada dez anos é antiga. A SBCP é direta: implantes não têm garantia de durar a vida inteira, e a troca pode se tornar necessária por contratura, ruptura, desejo de mudar o tamanho ou queda da mama com o tempo. A FDA estima que cerca de uma em cada cinco mulheres operadas por motivo estético retira ou troca o implante em 8 a 10 anos. Gravidez, variação de peso e idade mudam a pele e a glândula, não o implante. A FDA sugere ultrassom ou ressonância 5 a 6 anos após a cirurgia e depois a cada 2 a 3 anos.
Mamografia: ter silicone não impede o rastreamento do câncer de mama. Avise o serviço ao marcar; o técnico desloca o implante (manobra de Eklund) e faz incidências extras. Como a prótese pode esconder parte do tecido, ultrassom e ressonância complementam.
Amamentação: a maioria das mulheres com prótese consegue amamentar. O implante fica atrás da glândula, e os estudos não encontraram silicone em quantidade relevante no leite. A via periareolar tem mais chance de reduzir a produção; as vias pelo sulco e pela axila preservam melhor os ductos.
Convênio ou SUS cobrem?
Para fim estético, nem o convênio nem o SUS cobrem a prótese de silicone. A exceção é a reconstrução: quem passou por mastectomia por câncer tem direito à reconstrução da mama, incluindo prótese e simetrização do outro lado, no SUS e nos planos de saúde, por lei federal e pelo rol da ANS, a Agência Nacional de Saúde Suplementar. Malformações, como síndrome de Poland, são analisadas uma a uma, com laudo e perícia, sem como prometer cobertura antes dessa análise.
Quanto custa
O valor depende do tipo e da marca da prótese, da via de acesso, do plano de colocação, do hospital ou hospital-dia, do tipo de anestesia, da experiência da equipe e da combinação com outra cirurgia, como mastopexia ou lipo. O portal não publica preços: a página de orçamento explica o que entra na conta e o que faz o valor variar, e o simulador encaminha o seu pedido a cirurgiões plásticos parceiros em Brasília.
Perguntas para fazer ao cirurgião
- Você tem RQE em cirurgia plástica? Qual o número?
- Em qual hospital ou hospital-dia você opera e ele tem UTI de retaguarda?
- Quem é o anestesista e ele fica durante toda a cirurgia?
- Quantas inclusões de prótese você faz por ano?
- Qual prótese você indica para mim e qual o registro dela na ANVISA?
- O que está incluso no valor: prótese, hospital, anestesia, sutiã, retornos?
- Como é sua política se precisar de revisão ou troca?
- Como será o acompanhamento com imagem nos próximos anos?
A indicação de prótese de silicone, o volume, a via e o plano só podem ser definidos em avaliação presencial com cirurgião plástico com RQE. Toda cirurgia tem riscos, e o resultado varia de pessoa para pessoa.
Perguntas frequentes
Qual tamanho de silicone devo colocar?
Não existe tamanho certo em mililitros sem medir o tórax, a largura da base da mama e a quantidade de pele e tecido disponíveis. O cirurgião mede isso na consulta e mostra modelos de prova. Próteses grandes demais para a base aumentam o risco de queda, de enrugamento e de deslocamento.
Prótese redonda ou anatômica?
A redonda dá mais volume no colo e não tem problema se girar. A anatômica, em gota, concentra o volume embaixo e imita a mama natural, mas pode rotacionar. A escolha depende do formato atual da mama e do resultado que você espera, e deve ser feita junto com o cirurgião.
Sob ou sobre o músculo: qual é melhor?
Depende de quanto tecido você tem para cobrir o implante. Com pouca mama, o plano sob o músculo (ou o plano duplo) disfarça a borda da prótese e facilita a mamografia. Com tecido suficiente, o plano sobre o músculo dói menos e recupera mais rápido.
Silicone dura quanto tempo? Precisa trocar a cada 10 anos?
Não há prazo de validade fixo e a regra dos 10 anos é antiga. A troca acontece por contratura capsular, ruptura, desejo de mudar o tamanho ou queda da mama. O que vale é o acompanhamento anual e exames de imagem a cada poucos anos, como recomendam a SBCP e a FDA.
Quem tem silicone pode amamentar?
Na maioria dos casos, sim. O implante fica atrás da glândula e não contamina o leite. A via pelo sulco da mama e pela axila preservam melhor os ductos; a via periareolar tem mais chance de reduzir a produção. Se pretende engravidar em breve, discuta isso na consulta.
O que é contratura capsular?
É o endurecimento da cápsula de tecido que o corpo forma em volta do implante. A mama fica dura, alta e às vezes dolorida. Nos graus mais leves só se acompanha; nos graus III e IV costuma ser preciso retirar a cápsula e trocar a prótese.
Quem tem prótese pode fazer mamografia?
Pode e deve, a partir dos 40 anos ou conforme orientação médica. Avise o serviço ao marcar: o técnico desloca o implante e faz incidências extras. Ultrassom e ressonância complementam, porque a prótese pode esconder parte do tecido.
Convênio cobre prótese de silicone?
Para fim estético, não. A cobertura existe na reconstrução da mama após câncer, com simetrização do outro lado, prevista em lei no SUS e nos planos. Malformações, como síndrome de Poland, são analisadas caso a caso com laudo.
Este guia é informativo e foi escrito pela redação do portal a partir das fontes citadas. A indicação do procedimento, os riscos no seu caso, a técnica e os valores só podem ser definidos por um cirurgião plástico, com RQE, em consulta. Atualizado em 6 de novembro de 2026.